Surdez e Sociedade
Crianças com deficiência auditiva devem ser educadas em escolas comuns, na medida do possível.
Geralmente cabe aos pais a escolha do tipo de educação do deficente auditivo - comode qualquer outra criança. Existem escolas especiais para crianças com problemas de audição. Nelas, o ensino é tão amplo quanto em escolas comuns, mas é ministrado por professores treinados no uso de aparelhos de surdez e outros equipamentos, além da linguagem de sinais. Outra alternativa são as escolas especiais que valorizam ao máximo o residual auditivo dos alunos e utilizam apenas aparelhos de audição, sem recorrer a quaisquer sistemas de sinais, como a linguagem de sinais.
Na escola
Algumas escolas especiais incorporam ao método de ensino todos os tipos de comunicação. Usando métodos de “comunicação total”, as crianças surdas escolhem livremente o melhor jeito para expressar suas idéias e sentimentos. Elas precisam estudar mais do que as crianças com audição normal para se manter em dia com a matéria e, por isso, estão mais propensas ao estresse. Todos devemos ter isso em mente conhecer as dificuldades emocionais e sociais envolvidas.
No Trabalho
Em muitas ocasiões, os surdos precisam dos serviços de um intérprete, como no caso de telefonemas, entrevistas para trabalho, exames médicos e dentários e conferências.
Em casa
Os primeiros anos de formação são vitais para uma criança que nasceu surda ou com problemas de audição. A família deve ajudá-la a se sentir segura e à vontade para diminuir a tensão num mundo sem sons.
Levando uma vida normal
Aproximadamente uma em cada mil crianças nasce totalmente surda, e é comum a perda moderada ou parcial de audição. É importante que se compreenda que as crianças surdas não são necessariamente mudas, mas apenas apresentam dificuldades para aprender a falar, pois elas não conseguem ouvir nem a própria voz, nem a voz dos outros, e por isso muitas vezes a fala dos surdos nos soa estranha.
Quanto mais cientes as pessoas estiverem das dificuldades específicas que os surdos enfrentam, tanto mais fácil a adaptação aos problemas. Nos adultos, a surdez causada pela perda gradual da audição na velhice simplesmente aumenta a sensação de solidão e isolamento.
Embora a surdez seja um obstáculo, é possível que os deficientes auditivos levem uma vida normal, sobretudo com o carinho e a ajuda dos outros. Para os bebês que nasceram surdos, no começo o mundo pode parecer um lugar amedrontador e difícil de entender, mas se ele for estimulado nos primeiros e decisivos anos de vida, certamente poderá vir a ser ajustado e preparado para as oportunidades que tem qualquer criança sem dediciência auditiva.
Ajudando na comunicação
Quando falar com uma pessoa que usa aparelho de surdez, pense nos problemas que ela pode ter. É importante diminuir os ruídos externos fechando portas e janelas. Fique de frente para a pessoa, mantendo suas mãos longe do rosto, e fale direto com seu interlocutor: ele pode estar fazendo leitura labial.
É importante falar lentamente e com clareza. Não grite, pois isso sobrecarrega o amplificador e distorce os sons. Evite também ruídos desnecessários, como o tilintar de moedas e chaves.
Sinais universais
Existem várias formas de comunicação gestual para surdos, que diferem de um país para outro, apesar de serem parecidas.
Nem mesmo no Brasil existe uma padronização, sendo isso justificado pelo tamanho do país e até por “bairrismos” em uma mesma cidade, onde grupos de surdos possuem sinais diferentes para uma mesma situação.
A comunicação com os surdos muitas vezes é feita através de sinais. No Brasil, a LIBRAS (Língua Brasileira dos Sinais) é a língua materna dos surdos.
A língua de sinais é rica e fácil de aprender. Conhecê-la é muito gratificante e importante para entender as necessidades e manter a comunicação com os surdos.
Diversas igrejas, comunidades e escolas ministram cursos sobre língua de sinais com professores preparados. Também é possível aprender através da conviência com os surdos.
Este método é agradável, pois os surdos têm enorme prazer e paciência em ensiná-lo.
Alfabeto de sinais

alfaberto manual português
O papel do intérprete da língua de sinais
O intérprete é a pessoa em que o surdo deposita extrema confiança.
Os serviços de interpretação são necessários em:
- Palestras e conferências;
- Entrevistas e trâmites como trabalho, consultas médicas, audiências judiciárias, etc.;
- Aulas onde o professor não seja fluente em LIBRAS e nas universidade;
- Situações em que a interação entre pessoas surdas e ouvintes não usuários de Língua de Sinais seja intensa, de longa duração e/ou de relevante importância.
Leitura labial e leitura da fala
O deficiente auditivo é capaz de “ler” a posição dos lábios e captar os sons que alguém está fazendo. Essa técnica se chama leitura labial e é útil quando o interlocutor formula as palavras com clareza. Porém, é provável que até o melhor leitor labial só consiga entender 50% das palavras articuladas. O resto é pura adivinhação. Muitos sons são invisíveis nos lábios. Por exemplo, a diferença entre as palavras “gola” e “cola” depende unicamente dos sons guturais. Outros sons, como “p” e “m”, “d” e”n” e “s” e “z”, podem ser facilmente confundidos. O deficiente, não sabendo bem qual o assunto da conversa, tem mais dificuldade de fazer a leitura labial. Para quem já nasceu surdo, a leitura labial é muito mais difícil do que para alguém que tinha audição, pois o deficiente auditivo tem de imaginar os sons que nunca foram ouvidos.
Leitura da fala é a visualização de toda a fisionomia da pessoa que fala, incluindo sua expressão fisionômica e gestos espontâneos.Esse conjunto de dados, associados à leitura labial, aucilia bastante na compreensão de uma conversa pelos surdos.
A surdez, ou até um leve distúrbio auditivo, pode acarretar a perda da autoconfiança e a sensação de estar sendo excluído da vida diária. Ela pode até se tomar uma forte barreira social, já que ninguém se dispõe e ficar numa situação em que se sente pouco à vontade.
Conversação
Quando for ajudar um deficiente auditivo a fazer a leitura labial, cuide que ele observe seu rosto com clareza o tempo todo. Não fique na sombra nem com as costas contra a luz. Fale com velocidade normal, sem muita lentirdão e o mais claramente possível. Gritar não ajuda, porque distorce a posição dos lábios e dificulta a leitura. Não coma, nem fume, enquanto estiver falando. Evite também colocar a mão na boca. Considere que a leitura labial é difícil e esteja sempre pronto para repetir as palavras.
Aprendendo a falar
As crianças deficientes, como todas as outras, nascem com a capacidade de aprender e desenvolver a linguagem. Porém, as crianças surdaas apresentam dificuldades para aprender a falar, porque precisam imitar sons que elas mais vêem do que ouvem. E é muito difícil controlar os sons que emitimos se não pudermos ouvir o som de nossa própria voz. Um aparelho que acende luzes para controlar a altura dos sons ajuda os deficientes auditivos a “ver” os sons produzem e a aprender a controlá-los. Sentir a garganta ao falar também pode ser muito útil. As vibrações dos sons dão pistas sobre o seu volume e suas variações, ajudando a criança a aprender a falar.
Sentindo as vibrações
Coloque uma bexiga cheia próxima aos lábios e sinta como ela vibra à medida que você fala. Isso acontece, porque ela capta as ondas sonoras que a voz produz. A bexiga pode servir para ajudar a criança surda a aprender como controlar a voz. O professor fala tocando a bexiga com os lábios e a criança sente as vibrações. Ela então tenta emitir um som que provoque a mesma vibração.
Controle da respiração
Os sons que emitimos ao falar provêm da passagem do ar sobre as cordas vocais. Os sons também dependem da maneira como controlamos a saída de ar com os lábios e com a língua. A capacidade de controlar a respiração é, protanto, essencial para a clareza da fala. Os deficientes auditivos podem treinar alguns exercícios como, por exemplo, soprar uma pena para melhorar a respiração e ter controle sobre ela.
Música
As crianças com perda auditiva têm uma série de interesses e habilidades. Dependendo do nível de surdez, não há motivo para não apreciarem a música. Os deficientes auditivos conseguem sentir vibrações sonoras e ritmos por meio de instrumentos musicais. Muitos aprendem a tocar um instrumento. Algumas crianças parcialmente surdas conseguem ouvir bem notas mais agudas. Mas, como o ouvido é também o órgão responsável pelo equilíbrio, certos tipos de surdez podem afetar o senso de equilíbrio da pessoa, sujeitando os deficientes auditivos, principalmente crianças, a acidentes.
A perda do significado dos sons
O cérebro começa a armazenar a memória de sons a partir do nascimento e, na fase adulta, as pessoas conseguem distinguir quase meio milhão de sinais dotados de sentido. Se, eventualmente, o centro de memória sonora for destruído, acontece um fenômeno chamdo amnésia auditiva. Embora os implusos nervosos relativos a sons alcancem o cérebro, eles não têm mais nenhum significado. É um quadro de difícil tratamento, porque é o cérebro que está danificado.
Dança
Crianças com deficiência auditiva podem gostar de ritmos naturais, mesmo sendo totalmente surdas. Elas sentem prazer em dançar, o que também as ajuda a aprender a coordenar seus movimentos. Um sistema de circuito auxilia crianças parcialmente surdas nessa atividade e permite utilizar o aparelho de surdez como receptor de rádio. A captada pelo aparelho de surdez das crianças.
Comunicação gestual
Sinais para palavras ou idéias se fazem com as mãos, mas o sentido também se transmite pela expressão facial e pela postura corporal. Leva-se muito tempo para aprender bem a usar os sinais. Existem linguagens diferentes em diferentes países.




